sábado, 19 de maio de 2012

Fira modernista de Terrassa

Esta foi a primeira feira que fiz em minha cidade. A festa foi ambientada no início do século XX, no apogeu da indústria têxtil. Participei no setor das oficinas de ofício. Enquanto a Mariangela cuidava das vendas, eu distraia a criançada fazendo  mágica no torno. A população usava vestidos de época, inclusive nós.
Estávamos instalados em frente da Masia Freixa, no parque Sant Jordi, um ícone do modernismo local.






 Maria Josep, uma parceira catalana no grupo de conversação que participo.


 A Masia Freixa vista da banca de cerâmica

Baile dos gigantes.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Setmana Medieval de Montblanc

Dois finais de semana participando de uma feira em uma cidae medieval muralhada, ao sul da Catalunya
Uma atmosfera impressionante que nos remete a outros tempos

Caminho pelas manhãs dormidas até encontrar uma padaria aberta para o café da manhã. Ninguém nas ruas, imperdível



Bancas dormindo
Banho matinal




 Os ferreiros dobram o metal como se fosse argila úmida
Sai satisfeitos com os resultados culturais e financeiros

quinta-feira, 19 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

El Drac i San Jordi - Uma outra história

No próximo fim de semana participarei da Fira medieval de Montblanc, cujo tema  gira em torno das lendas de São Jorge. Como não poderia ser diferente os meus dragões são rebeldes e muito ágeis e bem humorados. Roubaram a espada do Santo.

Floresta ancestral


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Hospital Cerâmico

Meu primeiro trabalho foi como enfermeiro em um hospital. Quando entrei para o serviço militar obrigatório continuei a carreira no pelotão de saúde. Meu último contato oficial com a enfermagem foi em hospital psiquiátrico. Depois abandonei a carreira e enveredei por outros ofícios, como jardineiro, garçom, entregador de pizas e faxineiro.
 Por fim estacionei na cerâmica. Porém o talento de cuidador nunca me abandonou. Os artigos de medicina e saúde são os que primeiro leio nos jornais e revistas.
Dos pequenos ferimentos familiares cuido eu mesmo, sempre com sucesso.
Na cerâmica acidentes acontecem. Por vezes as canecas ainda úmidas voam do torno em movimento, sofrendo lesões deformantes  irreverssíveis. Irritado com minha falta de habilidade, jogava as canecas feridas, sem piedade,  no tonel de reciclagem. Aqui na Espanha minha experiência de cuidador aflorou novamente e passei curar as estropiadas até sua independência na vida adulta, ou seja, quando colocadas à venda nas feiras.
Tem clientes com um uma inclinação especial pelas lesionadas pelo simples fato de estarem fora do padrão.


 Porém quando os acidentes ocorriam depois das queimas, as cerâmicas viravam presentes para os amigos, quando as lesões era leves como pequenas rachaduras decorrentes da queima. Algumas viravam potes de flores ou as mais graves iam para o depósito dos futuros mosaicos que nunca farei.
Na semana passado consegui fazer um sutura cirúrgica com bons resultados em uma prato quebrado que resistia para não ser jogado na caixa dos mosaicos esquecidos. Mudava constantemente de prateleira em prateleira clamando por uma solução mais digna. Os pontos se consolidaram com sucesso depois de uma queima a 1260ºC.

Algumas vezes quando o barro no torno está muito úmido, a caneca racha quando está nos primeiros minutos do processo de desidratação. Estas invariavelmente eram reprocessadas. Até que me veio a idéia de resgatar também as que sofrem de acidentes graves, urgentes, mais ou menos como médicos que operam bebês recém nascidos:

 O sorriso irresistível da salvada.

Porém  atravessei a tênue linha divisória que separa o médico do monstro quando comecei a rasgar canecas saudáveis propositalmente somente pelo prazer mórbido de alcançar a cicatrização mais bela do mundo. E com a maior cara de pau  ainda coloquei o sorriso de agradecimento.
Lembrei de um episódio ocorrido em Porto Alegre um pouco antes de sair do Brasil.
Uma aluna da Veterinária foi impedida de se formar porque se recusara a quebrar as pernas de cachorros saudáveis, nos cantos das mesas, para aprender a técnica de recuperação de fraturas.
A lógica é imbatível se não o fazem nas faculdades de medicina por motívos éticos, porque o faria com os pobres animaizinhos?
Resultado:
Depois de cinco canecas como Dr Jekyll voltei a ser um ceramista do bem.

sábado, 31 de março de 2012

Dançando a primavera

Depois de um rigoroso inverno, que não foi nada segundo os catalães, as coisas esquentam por aqui. Todos querem recuperar o tempo perdido. As flores pipocam por todo lado em uma dança de vida.



 Até meus cogumelos e caracóis entraram na festa.



Este aí saiu do dormência invernal com um apetite de dar medo.

 Aproxima-se a festa de São Jorge em Montblanc. Participarei da feira medieval. Meus dragões foram mais espertos que o santo mata-dragão. Roubaram sua espada e continuam por aí felizes da vida, atormentando as atualmente raras donzelas.
E o que foi feito do Santarrão? Todos sabem que sangue de dragão é verde ou azul e o que encontrei nas espadas era vermelho...