quarta-feira, 8 de abril de 2009

Forasteiros

Forasteiros são bem acolhidos no Rio Grande do Sul. No começo da colonização europeia os conflitos eram muitos. Índios defendendo seu território com boleadeiras e flechas contra gananciosos e bem armados portugueses e espanhóis que queriam a posse do território. Após vieram os escravos negros para trabalhar nas charqueadas. Posteriormente chegaram imigrantes europeus e japoneses fugindo da miséria em seus países, muitos deles devastados pelas guerras, para construir seu novo mundo. Descendo dos esperançosos alemães.
Esta mistura de povos forma um rico mosaico cultural. O Brique da Redenção é um exemplo da entrada recente de imigrantes que nos últimos anos vem enriquecendo o tempero deste caldo. Meus vizinhos são argentinos, uruguaios,chilenos, mexicanos, peruanos, equatorianos, japoneses. Todos produzindo seu artesanato portunhol, com traços de sua origem misturada com a influência da terra que os acolheu.
Não são somente novas pessoas que vem viver aqui, também os papagaios, fugindo da miséria das florestas sem árvores vem buscar abrigo em Porto Alegre, uma das cidades mais arborizadas do país. Há um bando deles que faz a farra aqui em casa na época da pêra. Eles tem um grasnar forte que se escuta de muito longe. Tem o hábito de ficar nos galhos mais altos dos prédios - antenas de TV. Um vizinho me contou que uma vez uns dez deles resolveram desgalhar completamente uma antena . Deve ter sido na hora do Faustão, com certeza!




Eles não são muito econômicos quando comem a pêra. Seguram-na com a pata, dão algumas mordidelas e pum! em cima do telhado do atelier.


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Pistas encontradas no chão.

Meu amigo Claiton Martins, ornitólogo e professor da Ufrgs, me fez a gentileza de identificá-l0 e dar algumas informações técnicas :
"Bem, o papagaio da foto é um Amazona aestiva, o papagaio-verdadeiro. A espécie é de fato exótica, pois ela ocorre naturalmente até Santa Catarina. No RS não teríamos essa espécie em vida livre. Mas, ao que parece, esses indivíduos se originaram a partir de escapes de cativeiro, ou até mesmo solturas propositadas. Não sabemos ao certo quantos são mas o bando é grande e estão espalhados por toda a cidade"

3 comentários:

paçoca disse...

Rui, embora more no Rio de Janeiro, achei que o seu mundo parece muito com o meu, pelo menos nos fins de semana, quando vou para o meu sítio. Gostei dos seu blog e dos seus trabalhos.

Anônimo disse...

a tua sorte é que só os papagaios vão lá comer as peras...
deixa os "forasteiros " do brique saberem...heheheh
abraço e bom domingo pra nós...
javier

Maria Angu disse...

Adoro o Brique da Redenção!
Vida longa e próspera ao caldo de mil temperos que sustenta nossos sentidos! Forte abraço, Katia.