quinta-feira, 12 de março de 2009

Uma vez colono, sempre colono!

Nasci e vivi em um sítio até os 18 anos, sempre envolvido com plantas até o último fio de cabelo. Quando fui para a Alemanha meu sub emprego predileto era ser jardineiro. Na volta ao Brasil transformei a área de serviço do apartamento de minha irmã em atelier e floresta tropical.Para evitar o olhar de vizinhos enxeridos pendurei um lençol branco que ali ficou por mais de um ano completamente tingido pelos respingos de argila do torno e pela chuva. Até um aquário de tartarugas tinha no meio das plantas. Não sei como conseguia me mover naquele ambiente. As vezes eu invadia a cozinha com cerâmicas recém moldadas para secar, mas logo era expulso dali pela minha amada e zelosa companheira Mariângela. Minha irmã não deveria estar em seu juizo perfeito para emprestar seu apartamento para este fim.
A mudança para o sítio em Ivoti foi a glória. Por causa da cerâmica não consegui exercer o ofício de colono na plenitude. Mas bem que eu conseguia dar umas enxadadas aqui e ali. Mas como o sitio era grande, a natureza exuberante acabou tomando conta de tudo. Ficamos ilhados e nos defendíamos com um cortador de grama.
De volta a Porto Alegre transformei a área livre de nossa casa em horta e pomar. Originalmente havia jambolão, pereira e laranjeira. Acrescentei parreira, quincan, nespera, amoreira, várias pitangueiras e um limão bergamota. Para conseguir mais espaço arranquei a golpes de picareta um piso de cimento. Por falta de chão plantei um ariticum na calçada. Preciso arranjar lugar para o butiazeiro que gentilmente ganhei da Cláudia e Rogerio. Também gostaria muito de ter um pé de uvaia e cereja nativa. Plantei um pé de carambola fazem tres anos. Floresceu pela primeira vez em janeiro, somente um cachinho com muitas flores. Sobraram somente 5 frutas. Pela escassez devem ser consumidas com moderação. A primeira delas enriqueceu a salada. Delícia.








Estas peras de meu quintal fazem a festa dos papagaiões que adotaram Porto Alegre como morada.

3 comentários:

Mariângela disse...

Nossa,havia apagado o lençol branco da memória,hoje não teria mais coragem rsrsrs a gente foi muito feliz naquele apezinho,belas lembranças de tanto desprendimento e do ap sempre cheio de amigos,saudade do Adônis,da Gládis,das jantas todas.

samya disse...

Oi Rui, descobri teu blog la no Come-se, ja tinha vistos as tuas cerâmicas, são lindas tuas pecinhas de "durepox". Li tudinho, do começo ao fim, delicioso! Como sou muito enxerida, te dou uma dica de leitura, claro, se você ainda não leu. Tem um livrinho do Levi-Strauss, que em francês se chama La potière jalouse, não sei o nome em português, o livro fala sobre os mitos que envolvem a cerâmica entre os nativos das Américas. Cada vez que penso no livro penso no teu blog e tenho vontade de te falar sobre isso. Pois bem, esta feito, e eu como uma apaixonada das artes todas, e da cerâmica em especial tinha que falar do livro. Beijos para você e para a familia. Samya

Anônimo disse...

Oi Rui,
Linda salada, de dar água na boca. A descrição de tuas lembranças trouxeram as minhas á tona, também cresci assim, rodeada de plantas e frutas, é muito bom. Comer bergamota no alto da árvore pro pai não ver que estávamos lá, era o máximo!!! rsrsrs. Obrigado pela oportunidade.
Abraços,

Débora - Pelotas,RS.