sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Nascimento de um forno cerâmico

Nesta última quarta-feira tive uma das mais satisfatórias vivências desde que dou aulas de cerâmica. Propus às alunas que construíssemos um forno de cerâmica. Elas toparam no ato. Acho que um ceramista só pode se denominar ceramista quando já preparou seu barro, modela,torneia, compõe receitas próprias de vidrados e já construiu um forno. Esta turma é muito boa e integrada. Neste semestre estamos nos dedicando às duas últimas tarefas. Primeiro fiquei um pouco receoso de que sobraria tudo para mim na construção. Mas por via das dúvidas comprei algus pares de luvas de pedreiro a titulo de incentivo.Foi ótimo, mostraram-se muito eficientes também como pedreiras.
Tijolos refratários sobre uma lage de concreto para dar estabilidade à estrutura.

Com auxílio de uma corrente consegue-se o desenho de um arco estável sem o auxílio de estruturas metálica. 
É uma técnica revolucionária que marcou a arquitetura dos antigos romanos,  facilmente identificada nos aquedutos e pontes.

Corte do modelo do arco. 

 
Preparação do arco. Todo mundo na lida. Até um fotógrafo exclusivo temos, o Gilberto. 


 
Preparação da argamassa. 

Ajuste dos tijolos isolantes, muito macios,  podem ser cortadas com serrote manual
A Perdita, nossa querida e estabanada companheira  foi desterrada para o outro lado do pátio por representar um grave risco ao patrimônio público. Quando tem rompantes de euforia não fica pedra sobre pedra. No atelier de forma alguma pode ficar feliz, seu rabo desgovernado vai varrendo as canecas para o chão, quebrando tudo .
Além das fotos muitas anotações dos detalhes sobre a  construção.
Colocação dos tijolos isolantes ao redor do molde de madeira.

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Ajustes finais. Os três últimos tijolos são os mais importantes, pois são eles os que darão a estabilidade ao arco especialmente o central, em cunha, que evitara o deslocamento indesejado da estrutura quando houver movimentos estruturais, que  acontecem durante a queima devido ao calor.

O momento de maior tensão é a retirada do molde. É a hora da verdade. Os romanos tem razão, o troço não cai mesmo. Ao longo de minha carreira ja fiz seis fornos. Todos tinham uma estrutura metálica de apoio que estabiliza a construção e serve de sustentação para a porta. Sempre os construí sozinho. Este modelo de construção que conhecia por manuais nunca havia feito.Imagine o mico se esta construção coletiva ruísse ?Minha credibilidade escoaria Dilúvio abaixo,sumindo no  rio Guaíba.
 
Subindo a parede da lateral do forno 

Os felizes trabalhadores Hilde, Rui, Carmem, Nicole, Ana, Luiza e Gilberto(atrás da câmera fotografando). Para a próxima semana está prevista a preparação da porta e a construção da chaminé
Hoje de manhã o canteiro de obras estava um tanto quanto caótico, organizei tudo e aproveitei para dar uma repaginada neste lado do jardim.


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Os dois pingos laterais foram as primeiras peças que fiz  quando iniciei minha jornada em escolas de cerâmica em 1988. O dorminhoco ao centro,aproveitando o quentinho,sou eu!


3 comentários:

Neide Rigo disse...

Rui, eu quero um desses. Obrigada por dividir a experiência e ensinar a técnica. Um beijo, n

luiza disse...

Rui, mal posso esperar pela próxima aula e pela primeira queima. É muito bom fazer parte dessa experiência.

Andreas Schütz disse...

Rui - gostei do forno, parabéns pra equipe. A argamassa utilizada é específica para altas temperaturas ?

Obrigado