sábado, 21 de março de 2009

Café em fartura

Como gaúcho, do café só sei beber. Tinha uma vaga ideia dos processos de elaboração. Imaginava que para chegar ao saboroso café preto, os grãos teriam que ser processados por máquinas sofisticadas e incompreensíveis. Nesta viagem a Fartura no sítio dos pais da Neide tive a oportunidade de participar do processo de produção e beneficiamento artesanal do café


Os grãos são colhidos manualmente quando estão bem vermelhos e são deixados para secar ao sol em uma quadra de cimento. Após a secagem ele é descascado.


Nesta máquina bizarra é colocado o café seco, descascado para torrar durante mais ou menos 30 minutos.
Ela tem que ser girada lentamente durante este tempo para que a torração seja uniforme.

Todo mundo colaborou na manivelagem.

Quando o café começa a fumacear é sinal de que o fim está próximo.
A fumaça, quando impede a visão e respiração, sinaliza que a torração acabou.


O experiente seu Toninho explicou que o grão não pode estar preto, mas levemente marrom,para que o máximo do sabor seja preservado. Mais ou menos como na queima de esmaltes na cerâmica. Existe um ponto exato em que a queima deve ser interrompida, para que o esmalte dê o máximo de sua beleza.

Seu Toninho retirando as palhinhas ao vento com habilidade de cafeicultor experiente.
Que beleza de cor e perfume!
Na moagem é liberado um impressionante aroma fresco e inebriante de café.
Logo após a moagem. É a hora da verdade. Olhem o bule de ágata e o porta filtro chamado de mariquinha. Reparei que nos mercados da região sempre tem expostos máquinas para torrar, moer e as mariquinhas. Da mesma forma como nos mercados do sul sempre encontramos cuias, ervas, bombas e térmicas para o chimarrão.

Marcos é o primeiro a experimentar e aprovar o café

Depois de um dia de labuta árdua nos cafezais paulistas, nada como se esticar na varanda e jogar conversa fora com os amigos enquanto o entardecer vai dando suas melhores pinceladas na paisagem.
Êta dia bão!

7 comentários:

Neide Rigo disse...

Ei, Rui, este pé acho que é o meu! Engraçado tudo isto. Para mim, sempre foi tudo tão óbvio que nem imaginava um post sobre o assunto. Mas na visão de um gaúcho bebedor de chimarrão tudo parece muito mais interessante. Adorei. beijos, n

Anônimo disse...

bela aula gassen..abraço,javier

Marcos disse...

Rui
Ainda tenho na memória o gosto pecular daquele nosso cafezinho do sítio. Tenha certeza que foi um evento bem legal, digno de uma oficina "Slow Food".
Abraços

Bianca Elisa disse...

Oláá.. minha primeira vez aqui, vim pela Neide. Nossa, amei, lembrei dos finais de semana no sítio da família do Junior (ele vai pirar quando ver esse post) onde eles plantavam, colhiam, secavam num terreiro depois limpavam, torravam dia sim, dia não, em casa na cidade, pra fazer o café do dia, moidinho na hora. delicia.
Parabéns pelo blog, é bem legal.
Vou lá ver o seu trabalho.

mariliafig disse...

Também vim aqui pela Neide. Posso sentir o delicioso cheirinho do café ULTRA fresco. E lembrar também da infância brincando nos terreiros de café em Amparo.
Adorei!!!

carlinhos de lima disse...

A vida, vez por vezes nos mostra caminhos diferentes para a gente trilhar.
Colheci a Mariângela através do blog da Roberta Sudbrack.
Depois, não sei como, cheguei ao Come-se. Percebi, então, a ligação entre a Mariângela e a Neide.
Nas leituras do Come-se vou colecionando aprendizado sobre vocês todos. E, agora, mais este caminho: o teu blog.
Então, sigamos os caminhos que nos apareceram pela vida.
Boa gaúcho!
Belos trabalhos.
Belos ensinamentos de pão...

Jorge Ramiro disse...

Claro, a vida às vezes mostra caminhos diferentes. Quando eu era criança eu queria ser uma estrela do rock, mais eu tenho uma fábrica de bebedouro para cães e agora estou muito feliz.