Quando chove a terra se torna uma massa pesada, grudenta e escorregadia. No tempo de criança gostava de surfar de pés descalços sobre a terra compactada em frente de casa. O solo ficava liso como sabão. Vinha correndo em toda velocidade e deslizava sobre esta pista de patinação improvisada. Uma delícia. Lembro de um dia especialmente quente de verão. Caiu uma chuva intensa e rápida, logo saiu o sol novamente e a água evaporava do solo como de uma panela fervente. Aquilo foi o máximo. Algumas das cicatrizes que tenho nos joelhos e cotovelos arranjei naquele memorável dia.
Com a terra molhada é praticamente impossível andar de chinelos. O barro vai se acumulando em camadas no solado até ficar com uma plataforma de 5 cm, a partir daí o chinelo não parava mais no pés. Um saco para caminhar! A solução era andar descalço ou de calçado fechado. Próximo da entrada das casas sempre há uma lâmina de ferro fixada na vertical, na altura dos pés, usada para raspar o barro acumulado.
Nesta minha última ida Santa Rosa trouxe uma amostra comigo. Queria ver seu comportamento quando queimada no forno cerâmico Na foto abaixo à esquerda é a terra original; acima à esquerda é o resultado quando queimada a 850 graus. Esta cor laranja/dourada acho que ficou bem legal.
Na foto à direita usei um torrão como pegador em uma tampa de caneca e queimei a 1260 graus. A cor mudou e a terra ficou dura como uma rocha. O passo seguinte será moer a terra em um moinho especial para cerâmica chamado de moinho de bolas, de origem medieval. Vou ver se posso usa-la como corante para esmaltes.
De repente consigo descobrir mais uma característica desta peculiar terra que gruda nossa memória e os pés literalmente ao chão
Um comentário:
Vou prestar atenção a terra da região, por aqui há várias ceramicas e mesmo no terreno onde moro há vários tipos de barro. Sei bem o que é andar de sandália no barro! Temos esta lâmina pra limpar o calçado, na forma de um cachorro lingüiça.
Postar um comentário